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APRESENTAÇÃO

Desde os primórdios de sua existência, o ser humano procurou esclarecer as razões que justificassem a ocorrência das doenças, desenvolvendo processos destinados ao cuidado e à resolução dos quadros de dor e sofrimento para as pessoas. Dentre os vários grupos étnicos e sociais, em vários momentos históricos foram desenvolvidos ritos de assistência ao ser humano, com profundo interesse em revelar e compreender o mistério da natureza, do homem e do universo. Não por acaso, nossa civilização, desde tempos imemoriais, tem buscado dialogar com saberes que possibilitem conhecer tanto as dinâmicas sutis quanto as objetivas que circundam o ser humano e sua correlação com as estruturas que organizam, sustentam e harmonizam a teia da vida. Dos sumérios aos indianos, dos chineses aos egípcios e dos persas aos indígenas latino-americanos, todos os povos buscaram compreender e sistematizar processos de cura. Nesse contexto, a Medicina atual e seus métodos inovadores, do genoma à nanotecnologia, da robótica aos órgãos artificiais, propõem revisitar, somar, por meio de práticas, sistemas integrativos e a união entre saberes científicos e tradicionais, favorecendo e diversificando processos de cura.

Se por um lado o avanço da ciência moderna contribui sistematicamente para o desenvolvimento de técnicas e estudos pertinentes à saúde humana, por outro lado, há espaços em que ela não conecta nem compartilha, como é o caso dos saberes tradicionais. Os saberes tradicionais associados a processos de cura tem ainda uma significativa importância para a preservação das heranças culturais dos antepassados que, ao longo da história adquiriram novos contornos e possibilitaram a estruturação de fontes de conhecimento e sabedoria. Esse conhecimento, adquirido ao longo da história, continua a servir como ponto de partida e como referência para o grande desafio da jornada humana: o conhecimento de si mesmo. Na atualidade, buscar conhecer a si mesmo é condição essencial para conferir sentido à própria vida, servindo como antídoto para a liquidez dos processos e estruturas da pós-modernidade, permeada por incertezas, impermanência e volatilidade.

I SIMPÓSIO SOBRE
SAÚDE INTEGRATIVA
IMAGENS DO EVENTO ANTERIOR

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Observemos que há uma vinculação sutil e peculiar entre o indivíduo e as dimensões que o abrangem, mencionadas como dimensão vital, emocional e psíquica. É inegável que a manutenção da vitalidade, as vivências emocionais, a busca de conhecimento de si mesmo e de um motivo propulsor que faça a vida valer a pena, bem como as relações humanas e o ambiente são pontos essenciais para a constituição da saúde humana.


Quanto a essa perspectiva, o conceito mais fidedigno de saúde enxerga o ser humano de forma integral. Não por acaso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como “o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”. De uma forma mais abrangente e integral, podemos compreender o conceito de saúde como um “estado em que se busca cooperar com as leis naturais de modo a manter a vida em harmonia com as mesmas”, favorecendo a harmonia no organismo, não só evitando a doença, mas entendendo sua origem e sua influência nas dimensões humanas.


Com base nesses conceitos e perspectiva de abordagem integrativa, o Instituto Espinhaço, o Instituto Sol e a Associação dos Terapeutas de Alto Paraíso de Goiás (ATAP), em parceria com a prefeitura municipal de Alto Paraíso de Goiás, organizaram uma plataforma de inovação em saúde pública, tendo como projeto demonstrativo o território de Alto Paraíso de Goiás. Essa plataforma foi lançada em setembro de 2018, no I Simpósio Sobre Saúde Integrativa na Reserva da Biosfera do Cerrado – Goiás e objetivou criar uma aproximação dessa temática junto à população local, estruturando uma modelagem que pudesse ser replicada em outros territórios da Reserva da Biosfera do Cerrado e no estado de Goiás. O simpósio contou, à época, com a participação de cerca de 250 participantes e inaugurou um novo tempo na abordagem de saúde pública do município.

Com base nesses conceitos estruturantes inseridos no projeto Flor da Vida, idealizado pelo Instituto Espinhaço no ano de 2010, em Minas Gerais, foi inaugurado em fevereiro de 2019, como um dos braços operacionais do Flor da Vida, o Núcleo de Práticas Integrativas em Saúde (NUPICS), em Alto Paraíso de Goiás. O NUPICS atua no SUS municipal, no Posto de Saúde da Família nº 3 com enfoque na promoção de saúde integral, melhoria da qualidade de vida e auxílio efetivo no processo de saúde, por meio do atendimento médico e tratamento convencional da Medicina, associado às práticas integrativas e complementares definidas pelo Ministério da Saúde, sendo os atendimentos feitos voluntariamente por médicos, terapeutas e demais profissionais de saúde. Desde sua inauguração, foram realizados
cerca de 300 atendimentos médicos com enfoque em saúde integrativa, além de atendimentos com psicólogos e nutricionistas e vários atendimentos em práticas complementares como acupuntura, fitoterapia, auriculoterapia, yoga, reiki e massagem ayurvédica.


Dando continuidade a essa iniciativa e com o apoio de especialistas, pesquisadores, gestores, terapeutas e uma rede de multiplicadores que constituem o caleidoscópio de parcerias que apoiam a realização dessa profícua ação voluntária, convidamos vossa senhoria para participar do II Simpósio de Saúde Integrativa na Reserva da Biosfera do Cerrado – Goiás - TERRITÓRIO, SABERES E SAÚDE: PERSPECTIVAS E ABORDAGENS DA MEDICINA INTEGRAL PARA O CUIDADO HUMANO A edição do simpósio de 2019 objetiva disseminar para toda a população e, em especial, aos profissionais de saúde, os significados e benefícios das práticas integrativas e complementares. O simpósio também objetiva construir, com base nesse marco e em consonância com a OMS – Organização Mundial da Saúde, ações que ressignifiquem e lancem luz sobre os conhecimentos tradicionais em saúde, objetivando a pesquisa e o desenvolvimento da etnobotânica, dentre outras abordagens, na promoção da saúde para as populações.


A OMS, em vários comunicados, reafirmou o compromisso de incentivar a formulação de políticas públicas para o uso racional e integrado das medicinas tradicionais e das práticas complementares nos sistemas de atenção primária, assim como a produção de estudos científicos que embasassem tais práticas para melhor conhecimento, eficácia e qualidade dos serviços prestados em saúde. Em 2002, a OMS elaborou um documento conhecido como “WHO Traditional Medicine Strategy”, ferramenta que fomenta a utilização das práticas integrativas. As estratégias contidas nesse documento incluem o fortalecimento do conhecimento, a melhoria da qualidade na assistência, a garantia da segurança e a efetividade da terapêutica, além da cobertura dos serviços de medicina complementar nos
serviços de saúde.


Nesse contexto, reveste-se de profundo significado pensar e implementar um conjunto de práticas que possam conjugar passado, presente e futuro, tendo como centralidade o ser humano, com base em uma visão biocêntrica e uma ética do cuidado integral, que possua como premissas os fundamentos apontados pela OMS: o cuidado integral à saúde, o cuidado centrado no paciente contemplando a empatia clínica, a promoção da saúde individualizada, a humanização das relações inter-profissionais, a construção de evidências científicas, mudanças na educação em saúde e a busca por uma boa relação custo-efetividade.


O momento do mundo nos convoca a desenvolver abordagens inovadoras sobre as formas como nós, individual e coletivamente, compreendemos e transformamos a vida, em suas múltiplas interfaces. Nesse contexto, também é imperativo que façamos, na atualidade, diante dos desafios com quais nos confrontamos, uma permanente e profunda reflexão sobre abordagens que possam ampliar e favorecer processos de saúde visando, dentre outros objetivos, entender as causas e consequências da relação saúde-doença, de forma a contribuir com a melhoria da qualidade de vida da nossa sociedade. Tal cenário confere significado e objetivo para o II Simpósio de Saúde Integrativa Na Reserva Da Biosfera do Cerrado – Goiás.

Confira algumas palestras do I Simpósio sobre Saúde Integrativa

O Esvaziamento de Sentido da Vida no Mundo Contemporâneo da  Tecnociência: Desafios para o Universo da Cura numa Sociedade em Transformação

Práticas Integrativas na Abordagem da Saúde Mental e Na Dependência Química.

A dimensão da Integralidade do Ser Humano no Cuidado Em Saúde: Práticas Integrativas – Um Novo Paradigma

Projeto demonstrativo para a Reserva da Biosfera do Cerrado: Flor da Vida